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A utopia da preservação da Amazônia

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Amazônia já deveria ter um grupo de defensores 100% amazônicos. O que mais vemos são encontros, debates e polêmicas sobre a preservação da Amazônia, no entanto estes eventos geralmente ocorrem nas grandes metrópoles, sem a participação dos amazônicos. É bom lembrar, que esses eventos são para decidir sobre o nosso futuro. Muitos dos que defendem a Amazônia, não tem sequer conhecimento da nossa realidade. Alguns simplesmente passaram por aqui, em seus luxuosos passeios turísticos, em aviões, carros de luxo e depois bancam os detentores do conhecimento. Preservar a Amazônia é algo imprescindível, mas não podemos ser extremistas. É bom lembrar que os mesmos defensores da Amazônia, são os defensores do biodiesel, e quem tem a certeza de que não serão desmatados milhares de hectares para poder ter este "ecológico biodiesel”? O biodiesel brasileiro foi apontado recentemente, por uma dupla de pesquisadores do Instituto Smithsoniam, como não sendo tão ecológico quanto prega o governo por aqui, pelo contrário poderia ser pior em termos ambientais.(Leia mais)

A Amazônia foi palco de mais uma notícia esta semana: a de que 3.235 Km² foram desmatados nos últimos cinco meses, e que segundo o ministério do meio ambiente a cifra pode dobrar após a análise das imagens de alta resolução da área. Fica uma pergunta aqui: Os responsáveis por este desmatamento vão ser punidos ou vai tornar em pizza como já é de costume? Parece brincadeira, mas vejo, que nem entre o governo há um consenso sobre este assunto. A ministra do meio ambiente diz que desmatamento cresceu nos três estados (Mato Grosso, Pará e Rondônia) que aumentaram o plantio de soja e a pecuária. O ministro da agricultura não concorda e diz que nos últimos quatro anos não houve aumento do plantio de soja e da pecuária na região.

Apesar disto, em seus discursos vários "defensores da Amazônia" afirmam que as grandes plantações na Amazônia, não são em áreas desmatadas e sim em áreas que outrora eram pastos destinados à pecuária. Se isto é verdade, eu passo acreditar em monstros, pois se as matas desmatadas por aqui eram pastos, não sei que tamanho seria este animal que pastava por aqui, afinal algumas são árvores centenárias. Muitas das árvores são simplesmente derrubadas por tratores de grandes latifundiários e em seguida empilhadas em leiras para que possam atear fogo. O que mais revolta, é que para um "cidadão comum" derrubar uma árvore que está ameaçando cair sobre sua casa, leva meses para consegui uma autorização. Existem moradores em algumas comunidades que nos períodos chuvosos ficam praticamente isolados, porque as estradas ficam intrafegáveis, simplesmente porque é coberta por árvores que não podem ser derrubadas. Portanto, até agora a preservação da Amazônia apenas restringe os direitos dos menos favorecidos, dos agricultores rurais e o desmatamento continua impulsionado pelos grandes latifundiários, patrocinado por grandes bancos e apoiado por muitas autoridades.

A BR 163 que interliga Cuiabá - Mato Grosso à Santarém-Pará, é um grande exemplo da política ambiental existente na Amazônia, visto que esta rodovia é uma das mais importantes da região norte, e à anos vive em péssimas condições recebendo promessas de pavimentação mas que nunca acontece, devido o famoso "impacto ambiental" defendido por esta política de proteção existente.

O que muitos não sabem, é que esta rodovia é muito importante para vários municípios principalmente os que precisam deslocar pacientes com problemas graves de saúde até o Município de Santarém, onde há mais recursos para o tratamento. No entanto, devido às péssimas condições da rodovia, percorrer uma distância de 200 km pode durar até três (3) dias ou mais. Isto é simplesmente ridículo. Dizer que a rodovia pavimentada vai aumentar o desmatamento é ignorância. O desmatamento não vai progredir se não houver apoio dos bancos ou mesmo, quem dê o título das terras aos latifundiários, sem o apoio de autoridades e órgãos fiscalizadores.

Entretanto, enquanto os ministros não se entenderem lá pelo planalto por aqui ficará no mesmo. Um reclama do desmatamento outro incentiva os grandes plantios de grãos. O que fazer? Vão fazer grandes plantios sem desmatar? Além do mais enquanto houver bancos financiando o desmatamento ilícito é impossível falar em preservação. Basta darmos uma olhada em frente aos grandes latifúndios que lá está o nome de grandes bancos.

Portanto, não adianta o governo fazer alarme sobre o desmatamento, só para o mundo pensar que estão interessados neste assunto. Preservar a Amazônia é preciso, e defendo esta idéia, mas não vamos consegui com atos extremistas como este, mas sim com políticas sérias, com maior fiscalização, com menos propina recebida pelos fiscalizadores, com punições aos que realmente desmatam.

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