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terça-feira, 5 de junho de 2018

Semana do meio ambiente discute mortandade de abelhas no Baixo Amazonas. A programação foi iniciada com uma visita ao apiário do Sr. Joãozinho, na cidade de Belterra


Para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Fórum Regional de Combate aos impactos causados por agrotóxicos do Baixo Amazonas promove seminário nesta terça-feira (5), com o tema “Os impactos dos agrotóxicos na mortandade de abelhas na região do Baixo Amazonas”, das 8h30 às 17h, no auditório do MPPA em Santarém. A programação iniciou com um Dia de Campo, no sábado (2), em chácara localizada em Belterra, onde a quantidade de caixas de abelhas foi reduzida de 1300 para 200 unidades, após morte em massa das abelhas no local, que está cercado por grandes áreas de monoculturas.

A pulverização indiscriminada de agrotóxicos por via área é responsável pela dizimação de colônias inteiras de abelhas de várias espécies no mundo e no Brasil, que está entre os grandes produtores e exportadores mundiais do mel. Investigações científicas sugerem que esses produtos provocam uma intoxicação nas abelhas, um fenômeno chamado de “distúrbio do colapso das colônias”, quando os insetos não retornam às colmeias e morrem fora dela, devido à excessiva exposição aos componentes químicos.
Na Amazônia, em regiões como o oeste do Pará, a apicultura é uma atividade crescente, mas já há registros de morte de abelhas em grande número em propriedades, por isso o Fórum definiu o tema para debate. O público alvo do seminário são criadores de abelhas e produtores de mel de Santarém, Belterra, Mojui dos Campos e outros municípios do Baixo Amazonas, bem como estudantes, agrônomos, agricultores e demais interessados. O evento tem apoio do Ministério Público de Santarém, Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) e Fase Amazônia.

Dentre os palestrantes, professores da Ufopa e UFpa vão apresentar as mais recentes pesquisas. O seminário terá mesas temáticas e troca de experiências entre produtores da região. Serão abordados os temas: As abelhas como bioindicador de qualidade ambiental; o histórico da criação de abelhas na região; os impactos sociais e ambientais do uso de agrotóxicos próximo a locais habitados, e palestra sobre o processo de licenciamento para mel e derivados, pela Adepará.

Dia de Campo revela fragilidade das abelhas
No sábado (2), um grupo de 60 pessoas de instituições que compõem o Fórum, visitou a propriedade de João Ferreira, conhecido com “João do Mel”, que já está há 45 anos nessa atividade. Porém, a chácara, de 16 hectares na zona rural de Belterra, está cercada por plantações de soja, e há 20 anos, o produtor sofre com a morte das abelhas.

“Cheguei a ter 1300 caixas, agora estou com 200. De 20 anos para cá vem acontecendo esse problema. A abelha “canudo”, por exemplo, produzia numa caixa seis ou sete quilos de mel. Hoje, produz meio quilo, e se você tirar o mel acaba com o enxame. Infelizmente a realidade é essa. É preciso ter órgãos competentes que protejam o pequeno agricultor. Aqui reclamam que a castanha está diminuindo, o piquiá está diminuindo. Quem faz a polinização é a abelha solitária, que não tem população. Então o vestígio dos agrotóxicos chegando nessas abelhas, acaba”, lamenta João.

O promotor de justiça Tulio Novaes, que participou do dia de campo, ressaltou que o processo é de união de forças, contra um gigante, que é a indústria do agrotóxico. “A expansão da fronteira agrícola e econômica para a Amazônia está colocando em cheque elementos primordiais para a biodiversidade aqui da região, que são os agentes polinizadores. Há utilização maciça de agrotóxicos nessas monoculturas, como milho e soja. O fim da abelha representa uma ameaça não só à floresta, mas também para agricultura familiar, das populações tradicionais, que vão deixar de ter uma fonte de renda significativa”, conclui.

Texto e fotos: Lila Bemerguy, publicado originalmente no site do Ministério Público do Pará

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Portal Blog do Ronilson, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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