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segunda-feira, 3 de junho de 2013

O tudo a ver de Magalhães Barata com Belterra


por Oti Santos (*)


Joaquim de Magalhães Cardoso Barata nasceu no então Distrito de Val-de-Cans, próximo a Belém, em 2 de junho de 1888. No oeste do Pará, chegou a morar em Monte Alegre quando jovem.





Foi militar do Exército brasileiro, chegando a patente de general, e líder político inconteste no Pará por cerca de três décadas, sendo interventor federal em duas oportunidades, senador da República e governador constitucional, também em dois períodos, no último eleito pelo povo.





Oficialmente visitou Belterra em duas oportunidades. Em Fordlândia, onde esteve primeiro, sua inédita visita foi por uma necessidade: na patente de major, comandando a “Bragada Muniz”, por fim, em 1930, a rebelião protagonizada pelos trabalhadores contrários às regras impostas pela administração da Companhia Ford Industrial do Brasil, particularmente quanto à alimentação servida, que entrou para a história com a denominação de “Quebra Panela”.




Magalhães Barata, um dos ícones da política no Pará


Barata, na condição de interventor federal do Pará, conviveu com os americanos no vale do Tapajós em duas oportunidades, de 1930 a 1934 e de 1943 a 1945. Aliás, era o comandante do Estado quando da saída dos americanos e da extinção da Companhia Ford Industrial do Brasil.





Na literatura que dispomos, consta que os americanos desistiram do projeto Ford (produção de látex natural em larga escala) em Belterra e Fordlândia em decorrência do “mal das folhas”, responsável pela dizimação dos seringais. Também que o surgimento da exuberante produção a partir da Malásia e o aparecimento da borracha sintética foram preponderantes ao desânimo de Ford pela continuidade do mega projeto na Amazônia brasileira.





Na condição de político, eleito vereador pelos belterrenses à Câmara de Santarém, pela primeira vez em 1976, sempre interessado sobre a história de Belterra, ouvimos relatos, de pessoas que já não estão entre nós, que uma das causas também teria sido a inquietação de Magalhães Barata com as ações norte-americanas no Pará.





Em pleno período de turbulência que vivia o mundo, antecedente a 2ª Guerra Mundial, o interventor, que desfrutava da irrestrita confiança de Vargas, não se continha com a entrada e saída dos navios com bandeira dos EUA na baía do Guajará, sem um controle a partir do governo com sede em Belém.





Assim como com as reais intenções dos americanos por aqui, numa época em que o nacionalismo estava em voga e que, por conta dos questionamentos que Barata levava ao presidente, no Rio de Janeiro, Getúlio Vargas teria agendado a visita a Belterra, ocorrida em outubro de 1940.





Em agosto de 1954, uma ocorrência que proporcionou muita repercussão em Belterra foi a grande concentração popular, na Praça Brasil, quando do coreto central, Magalhães Barata, candidato ao Senado da República, em sua primeira visita à vila, acompanhado por Lameira Bittencourt e Álvaro Adolfo da Silveira, dentre outras autoridades, inclusive de diretores do IPEAN, discursou pedindo o apoio do povo belterrense.





Nessa ocasião, recomendou aos eleitores de Belterra que também votassem para prefeito de Santarém no seu amigo e correligionário Armando Nadler, técnico dos mais respeitados no estudo da hévea, que vindo de Fordlândia para Belterra, era o seu candidato pelo PSD.





Em 3 de outubro, Nadler venceu a eleição à Prefeitura de Santarém com o apoio de Barata, ao derrotar os outros dois concorrentes: Adherbal Tapajós Correa e Coronel Mário Fernandes Imbiriba, que concorriam pela Coligação Frente Municipalista e PDC.





De Belterra, com o apoio e o acompanhamento pessoal do diretor do IPEAN, doutor Rubens Rodrigues Lima, e ainda do administrador das Plantações Ford de Belterra e Fordlândia, agrônomo Abnor Gurgel Gondin, Magalhães Barata seguiu em campanha política utilizando a L/M “Belterra”, para a vila de Fordlândia.





No ano seguinte, 1955, também em agosto, candidato ao Governo do Pará pelo PSD no pleito de 03 de outubro, Magalhães Barata, oposição ao então governador Zacharias de Assumpção, que apoiava a candidatura de Epílogo de Campos, pela UDN, em campanha eleitoral pela região chega a Belterra, mais precisamente em Porto Novo, tendo uma recepção bem diferente da do ano anterior, quando ali esteve como candidato ao Senado Federal.





Barata, que já não contava com o apoio pessoal de Vargas, que se suicidara um ano antes, pretendia realizar comício novamente na Praça Brasil, todavia não recebera permissão do diretor das Plantações Ford, Casemiro Vilela Junqueira, que alegava depender de autorização superior para deferir o pedido. Entretanto, colocou-se à disposição para fornecer condução até Porto Novo aos correligionários do caudilho interessados em vê-lo e ouvi-lo caso decidisse ali realizar a sua manifestação.





Aborrecido e prometendo retaliar, Barata realizou o comício fazendo uso do flutuante como palanque, à margem do Tapajós. Pouco tempo depois, Magalhães Barata comemorava a vitória nas urnas e Casemiro Vilela era substituído da direção das Plantações Ford pelo agrônomo Eurico Pinheiro, que assumiu interinamente até o retorno de Abnor Gondin, amigo pessoal do novo governador.





Outro político que se deu bem em Belterra com o apoio de Barata, Nadler e a força do PSD, foi o servidor do ERT (Estabelecimento Rural do Tapajós) José Rufino de Araújo. Seu “Araújo”, como era conhecido, que foi um dos 4 vereadores eleito pelos “baratistas” em 3 de outubro de 1958. Aliás, foi o pioneiro a chegar à Câmara de Santarém com votação obtida nas urnas de Belterra.





Muito doente, em 29 de maio de 1959, aos 70 anos de idade, em Belém, Barata veio a falecer no exercício do mandato de governador, tendo, porém, a partir do leito, pessoalmente coordenado a eleição indireta de Moura Carvalho à sua sucessão e a homologação do nome de Aurélio do Carmo, como candidato pelo PSD, ao pleito de 1962.





Hoje, o jornalista Manuel Dutra fez publicar em seu blog o seguinte artigo:





“Dois de junho, esqueceram o caudilho Magalhães Barata?


Bem diferente de décadas passadas, este Dois de Junho passa em branco. Foi-se o tempo em que havia feriado no dia do aniversário do maior dos mandachuvas paraenses. Muitas histórias sobre ele sobrevivem, quase sempre em forma de piadas ou sobre o mandonismo e as ações truculentas que caracterizavam o governo autoritário de Barata.





Faz hoje 125 anos que ele nasceu e, dia 29 passado fez 54 de sua morte ocorrida no palacete da Travessa Dr. Moraes, centro de Belém, imóvel onde hoje reside o arcebispo de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa…”





Na verdade, não há como esquecer a liderança que Magalhães Barata conquistara no Pará. Os paraenses que conviveram com as suas ações como o grande comandante do Partido Liberal e depois da Ditadura Vargas do PSD; fundador do jornal O Liberal; do baratismo e das legionárias, por certo não conseguem apagar da memória essa data, que deu nome a logradouros públicos em diversas cidades do Estado.


Em Belterra, por exemplo, na residência onde nos abrigamos, não há na parede fotos dos nossos familiares ancestrais; mas, há um pôster do caudilho, uma relíquia deixada pelo “Barra Limpa”, nosso patriarca, aguerrido “baratista”, que a matriarca “dona Luzia”, também saudosa, decidiu manter com muito respeito, mesmo nos mais de 20 anos de sua viuvez.





* Jornalista e ex-prefeito de Belterra.


Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Portal Blog do Ronilson, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

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